A Biblioteca Escolar assinalou o dia com a exibição de um power point, com a leitura de um testemunho de uma sobrevivente de Auschwitz e com a exibição do filme "A Lista de Schindler".
Espaço de partilha e divulgação das atividades da BE da E.B. 2/3 de Corroios, concelho do Seixal, distrito de Setúbal
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
27 de janeiro - dia internacional em memória das vítimas do holocausto
O Holocausto foi a ação de extermínio em massa de cerca de seis milhões de judeus que ocorreu durante a a 2ª guerra mundial. Através de um plano macabro e atentatório dos Direitos do
Homem, Adolf Hitler foi responsável pela morte de mais de um milhão de
crianças, dois milhões de mulheres e três milhões de homens judeus.
sábado, 23 de janeiro de 2016
Vergilio Ferreira
Vamos ouvir Vergílio Ferreira na leitura de um excerto do seu livro "Cântico Final".
Vergílio Ferreira
A Palavra
Se eu soubesse a palavra,
a que
subjaz aos milhões das que já disse,
a que às
vezes se me anuncia num súbito silêncio interior,
a que se
inscreve entre as estrelas contempladas pela noite,
a que
estremece no fundo de uma angústia sem razão,
a que
sinto na presença oblíqua de alguém que não está,
a que
assoma ao olhar de uma criança que pela primeira vez interrogou,
a que
inaudível se entreouve numa praia deserta no começo do Outono,
a que
está antes de uma grande Lua nascer,
a que
está atrás de uma porta entreaberta onde não há ninguém,
a que
está no olhar de um cão que nos fita a compreender,
a que
está numa erva de um caminho onde ninguém passa,
a que
está num astro morto onde ninguém foi,
a que
está numa pedra quando a olho a sós,
a que
está numa cisterna quando me debruço à sua borda,
a que
está numa manhã quando ainda nem as aves acordaram,
a que
está entre as palavras e não foi nunca uma palavra,
a que
está no último olhar de um moribundo, e a vida e o que nela foi fica a uma
distância infinita,
a que
está no olhar de um cego quando nos fita e resvala por nós,
– se eu soubesse a palavra,
a única,
a última,
e pudesse
depois ficar em silêncio para sempre…
in Uma Esplanada sobre o mar
CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE VERGÍLIO FERREIRA (1916 / 2016)
Antecedendo o dia 28 de janeiro, dia do nascimento de Vergilio Ferreira, deixamos aqui um pequeno apontamento sobre o escritor.
Biografia:
Romancista
e ensaísta português, natural de Melo (Gouveia), nasceu em 1916 e morreu em
1996. Estudou no Seminário do Fundão, licenciou-se em Filologia Clássica na
Universidade de Coimbra e exerceu funções docentes no Ensino Secundário.
Notabilizou-se no domínio da prosa ficcional, sendo um dos maiores romancistas
portugueses deste século.
Literariamente, começou por ser neorrealista (anos 40), com "Vagão Jota" (1946), "Mudança" (1949), etc. Mas, a partir da publicação de "Manhã Submersa" (1954) e, sobretudo, de "Aparição" (1959), Vergílio Ferreira adere a preocupações de natureza metafísica e existencialista. A sua prosa, que entronca na tradição queirosiana, é uma das mais inovadoras dos ficcionistas deste século. O ensaio é outra das grandes vertentes da sua obra que, aliás, acaba por influenciar a sua criação romanesca. Temas como a morte, o mistério, o amor, o sentido do universo, o vazio de valores, a arte, são recorrentes na sua produção literária. Além disto, Vergílio Ferreira deixou-nos vários volumes do diário intitulado "Conta-Corrente". Das suas últimas obras destacam-se: "Espaço do Invisível", "Do Mundo Original" (ensaios), "Para Sempre" (1983), "Até ao Fim" (1997) e "Na tua Face" (1993). Recebeu o Prémio Camões em 1992.
Literariamente, começou por ser neorrealista (anos 40), com "Vagão Jota" (1946), "Mudança" (1949), etc. Mas, a partir da publicação de "Manhã Submersa" (1954) e, sobretudo, de "Aparição" (1959), Vergílio Ferreira adere a preocupações de natureza metafísica e existencialista. A sua prosa, que entronca na tradição queirosiana, é uma das mais inovadoras dos ficcionistas deste século. O ensaio é outra das grandes vertentes da sua obra que, aliás, acaba por influenciar a sua criação romanesca. Temas como a morte, o mistério, o amor, o sentido do universo, o vazio de valores, a arte, são recorrentes na sua produção literária. Além disto, Vergílio Ferreira deixou-nos vários volumes do diário intitulado "Conta-Corrente". Das suas últimas obras destacam-se: "Espaço do Invisível", "Do Mundo Original" (ensaios), "Para Sempre" (1983), "Até ao Fim" (1997) e "Na tua Face" (1993). Recebeu o Prémio Camões em 1992.
http://www.wook.pt/authors/detail/id/17635
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Eduardo Lourenço recebe Prémio Vasco
Graça Moura-Cidadania Cultural
O ano começou bem com a entrega do prémio Vasco Graça Moura-Cidadania Cultural ao ensaísta e intelectual, grande vulto da cultura portuguesa, Eduardo Lourenço.
O prémio, que é atribuído pela primeira
vez, tem periodicidade anual e o valor pecuniário de 40 mil euros, tendo sido
criado em homenagem à memória do poeta, ensaísta, romancista, dramaturgo,
cronista e tradutor Vasco Graça.
O júri, em ata, refere em relação ao
ensaísta Eduardo Lourenço de 92 anos:
"Trata-se de uma personalidade
multifacetada que se singulariza pela coerência entre um pensamento
independente e aberto e uma permanente atenção à sociedade portuguesa, à sua
cultura, numa perspectiva universalista, avultando a reflexão sobre uma Europa
aberta ao mundo e nunca fechada numa qualquer fortaleza encerrada no egoísmo e
no preconceito"
"Em tempos de incerteza trata-se de
uma voz de esperança, que apela ao diálogo e à paz, com salvaguarda da
liberdade de consciência e do sentido crítico. A sua heterodoxia mantém-se viva
e actual em nome do compromisso cívico com a liberdade e a responsabilidade
solidária".
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