terça-feira, 3 de maio de 2016

Poemas e Música na inauguração da Galeria Mir'Art da EB de Corroios


Dia 28 de abril, na inauguração da galeria Mir’ Art que foi bastante participada estiveram presentes, em representação da Biblioteca Escolar da Escola Secundária João de Barros, o professor Jorge Fernandes e a professora Gabriela Dios que acompanhados de três alunas (Lara, Erica e Nelma) abrilhantaram o momento com musica, canto e declamação de poemas.



 Foi certamente um momento muito bonito e de grande emoção num espaço reabilitado com muito engenho e arte.



E porque um dos poemas declamados foi “Palavras para a minha mãe”, de José Luís Peixoto  e porque no domingo celebrámos o dia da mãe, aqui fica esse belíssimo poema
Palavras para a Minha Mãe
mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses 
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz. 
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente. 


pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste 
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te 
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente. 

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo, 
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia 
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz. 

lê isto: mãe, amo-te. 

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não 
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que 
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não 
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes. 

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão" 



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Comemoração dos 42 anos da Revolução dos Cravos


A Biblioteca Escolar enfeitou-se para a comemoração da revolução dos cravos.





Os alunos de 5º e 6º ano  criaram cartazes que tiveram como figura central, o cravo. Os trabalhos foram expostos na Biblioteca juntamente com um conjunto de trabalhos realizados pelas turmas de 9º ano na disciplina de Educação Visual em que o cravo tinha que estar presente.

Numa das salas da Escola Básica de Corroios

Numa das salas da EB1 D. Nuno Álvares Pereira
Alunas preparam as leituras
Não podia faltar a leitura de poemas alusivos ao 25 de abril, belos poemas que traduzem a importância da Liberdade e da Democracia. Foram lidos por alunas, monitoras da biblioteca, na escola e na EB1 D. Nuno Álvares Pereira. De forma simbólica distribuímos marcadores e cravos de papel.
No exterior da biblioteca passou durante o dia um power point alusivo à Revolução dos Cravos.
O Dia foi de Festa – da História – da leitura!


Aqui fica um poema de que muito gostamos:


Abril

Havia uma lua de prata e sangue
em cada mão.

Era Abril.

Havia um vento 
que empurrava o nosso olhar
e um momento de água clara a escorrer 
pelo rosto das mães cansadas.

Era Abril
que descia aos tropeções
pelas ladeiras da cidade.

Abril
tingindo de perfume os hospitais
e colando um verso branco em cada farda.

Era Abril
o mês imprescindível que trazia
um sonho de bagos de romã
e o ar
a saber a framboesas.

Abril
um mês de flores concretas
(…)
Havia barcos a voltar
de parte nenhuma
em Abril
e homens que escavavam a terra
em busca da vertical.

Ardiam as palavras
Nesse mês
e foram vistos
dicionários a voar
(…)
Era Abril que veio e que partiu.

Abril
a deixar sementes prateadas
germinando longamente
no olhar dos meninos por haver. 


José Fanha, Lisboa, Portugal
(Do livro ainda inédito "Tempo azul")



23 de abril - Dia Mundial do Livro



A Biblioteca Escolar assinalou o dia Mundial do Livro com a apresentação de um power point que ao longo do dia foi relembrando a todos quantos passavam junto da Biblioteca Escolar a importância deste Dia.
O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia desapareceram importantes escritores como Cervantes e Shakespeare, entre outros. A ideia da comemoração teve origem na Catalunha: a 23 de abril, dia de São Jorge, uma rosa é oferecida a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo. 
(acedido em:  http://www.dglb.pt/sites/DGLB/Portugues/livro/promocaoLeitura/accoesPromocaoLeitura/diasMundiais/Paginas/DiasMundiaisdoLivro.aspx )

E porque ler é importante deixamos um poema:

Um livro
Levou-me um livro em viagem
não sei por onde é que andei
Corri o Alasca, o deserto
andei com o sultão no Brunei?
P’ra falar verdade, não sei

Com um livro cruzei o mar,
não sei com quem naveguei.
Com marinheiros, corsários,
tremendo de febres e medo?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro levou-me p’ra longe
não sei por onde é que andei.
Por cidades devastadas
no meio da fome e da guerra?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro levou-me com ele
até ao coração de alguém
E aí me enamorei –
de uns olhos ou de uns cabelos?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro num passe de mágica
tocou-me com o seu feitiço:
Deu-me a paz e deu-me a guerra,
mostrou-me as faces do homem
– porque um livro é tudo isso.

Levou-me um livro com ele
pelo mundo a passear
Não me perdi nem me achei
– porque um livro é afinal…
um pouco da vida, bem sei.

O G é um gato enroscado, João Pedro Mésseder

sábado, 19 de março de 2016

Leituras e mimos


Na última semana de aulas e como forma de celebrarmos a época festiva que se aproxima, tivemos leituras, rebuçados e o sorteio de um coelhinho da Páscoa.
Depois de tirarem à sorte uma cápsula que continha uma frase numerada, os alunos leram e esperaram ansiosamente que fosse o número da sua frase a ter o prémio.
No final, o prémio sorteado foi entregue ao feliz contemplado, em cada uma das turmas presentes na atividade.







A todos uma Páscoa muito  Feliz!
As mãos - Manuel Alegre


Manuel alegre vence Prémio Vida Literária 2015-2016
O Prémio Vida Literária 2015/1016 foi atribuído ao escritor Manuel Alegre, anunciou a Associação Portuguesa de Escritores, que institui o galardão.
"A direcção, constituída em júri, como desde sempre nesta iniciativa, deliberou por unanimidade, considerando o longo percurso literário do autor, de um tempo prévio a `Praça da Canção`, à actualidade, [com] `Uma outra memória`", um percurso "muito premiado e reconhecido pelos leitores e pela crítica, em termos que tornam inconfundível a sua presença de poeta, narrador, cronista, ensaísta, na esfera cultural do país" atribuir o galardão ao Manuel Alegre, lê-se no comunicado divulgado.

Deixamos um poema de Manuel Alegre:

Balada do Poema que não Há
Quero escrever um poema 
Um poema não sei de quê 
Que venha todo vermelho 
Que venha todo de negro 
Às de copas às de espadas 
Quero escrever um poema 
Como de sortes cruzadas 

Quero escrever um poema 
Como quem escreve o momento 
Cheiro de terra molhada 
Abril com chuva por dentro 
E este ramo de alfazema 
Por sobre a tua almofada 
Quero escrever um poema 
Que seja de tudo ou nada 

Um poema não sei de quê 
Que traga a notícia louca 
Da história que ninguém crê 
Ou esta afta na boca 
Esta noite sem sentido 
Coisa pouca coisa pouca 
Tão aquém do pressentido 
Que me dói não sei porquê 

Quero um poema ao contrário 
Deste estado que padeço 
Meu cavalo solitário 
A cavalgar no avesso 
De um verso que não conheço 

Que venha de capa e espada 
Ou de chicote na mão 
Sobre esta noite acordada 
Quero um poema noitada 
Um poema até mais não 

Quero um poema que diga 
Que nada há que dizer 
Senão que a noite castiga 
Quem procura uma cantiga 
Que não é de adormecer 

Poema de amor e morte 
No reino da Dinamarca 
Ser ou não ser eis a sorte 
O resto é silêncio e dor 
Poema que traga a marca 
Do Castelo de Elsenor 

Quero o poema que me dê 
Aquela música antiga 
Da Provença e da Toscânia 
Vinho velho de Chianti 
Com Ezra Pound em Rapallo 
E versos de Cavalcanti 
Ou Guilherme de Aquitânia 
Dormindo sobre um cavalo 

E com ele então dizer 
O meu poema está feito 
Não sei de quê nem sobre quê 

Dormindo sobre um cavalo 

Quero o poema perfeito 
Que ninguém há-de escrever 
Que ele traga a estrela negra 
Do canto e da solidão 
Ou aquela toutinegra 
De Camões quando escrevia 
Sôbolos rios que vão 

Que venha como um destino 
Às de copas às de espadas 
Que venha para viver 
Que venha para morrer 
Se tiver que ser será 
E não há cartas marcadas 
Só assim poderá ser 
O poema que não há 

Manuel Alegre, in "Babilónia" 



sábado, 12 de março de 2016

O drama dos refugiados


O colega Jorge Fernandes esteve de novo na biblioteca para falar sobre o drama dos refugiados, desta vez, com a turma do 9º D, acompanhados pela professora Cândida Dias. Os alunos ouviram atentamente e visualizaram alguns filmes sobre este drama humano que não deixa ninguém indiferente. Questionaram, comentaram  e saíram certamente mais enriquecidos em conhecimentos, mas sobretudo em termos humanos.

Mais uma vez, os nossos agradecimentos, Jorge.